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10 Filmes Pós-Apocalípticos para Esquecer da Quarentena

Se você está enfiado em casa há alguns dias, sem ideia de quando a vida vai voltar ao normal, não é difícil imaginar que a era do domínio humano na Terra terminou de vez. O cenário apocalíptico que vemos nas notícias, nos memes que circulam e na janela de casa parece algo tirado de algum filme.

E o que o cinema tem para nos mostrar sobre os dias que virão?


Quando a sociedade vira de ponta cabeça, uma coisa é certa: a humanidade encontrará algum jeito de sobreviver. Mas, é importante imaginar o que sobrará para nós após um cenário apocalíptico.


Assim, pensamos em uma lista de 10 filmes que retratam a vida e os conflitos de mundos pós-apocalípticos, quando a vida já não é mais como era, a grama não é mais verde (sendo possível que grama seja a única coisa que tem pra comer) e seus vizinhos viraram canibais.

10. A Estrada (2009, John Hillcoat)

A América é uma sombra sinistra e cinzenta de si mesma após uma catástrofe. Um homem e seu filho vagam por este mundo pós-apocalíptico, tentando manter vivo o sonho da civilização. Eles viajam em direção ao mar sobrevivendo da melhor maneira possível, tentando evitar gangues de humanos selvagens que querem transformá-los em escravos, ou pior.


Um dos filmes mais desolados já feitos a história de um homem e seu filho em uma viagem até a costa é contada com vários flashbacks da época em que desastres naturais inexplicáveis aconteceram, até os dias atuais, quando a luta para se conseguir comida é uma das mais difíceis, e os humanos encontrados não são amigáveis.


Baseado num livro de Cormac McCarthy (que também escreveu “Onde os Fracos Não Tem Vez”), a história foca nas dificuldades mundanas dos personagens, buscando o que comer e tentando se proteger das possíveis ameaças que cada pessoa encontrada viva apresenta. O filme é cinzento, calmo e, acima de tudo, frio. A grande ameaça no mundo é humana: passado o evento cataclísmico, são as pessoas e a escassez que preocupam os protagonistas.

9. Akira (1998, Katsushiro Ôtomo)

Uma grande explosão fez com que Tóquio fosse destruída em 1988. Em seu lugar foi construída Neo Tóquio, que, em 2019, sofre com atentados terroristas por toda a cidade. Os amigos Kaneda e Tetsuo integram uma gangue de motoqueiros. Eles disputam rachas violentos com uma gangue rival, os Palhaços, até que um dia Tetsuo encontra Takashi, uma estranha criança com poderes que fugiu do hospital onde era mantido como cobaia.


O desastre nuclear causado durante a Terceira Guerra Mundial em Akira fala muito sobre as ansiedades do povo japonês durante o pós-guerra. No mundo da Neo Tóquo de 2019, temos diversos grupos brigando por reconhecimento nas ruas, zelotes religiosos e um governo totalitário que usa de seu poder para controlar a população e esconder os segredos do que realmente aconteceu em 1988.


O mundo de Akira é cheio de vida: bares banhados em neon, estradas movimentadas e jovens delinquentes são um senso de normalidade à vida na cidade. É somente quando prosseguimos na história que o escopo do desastre de 1988, e o que está para acontecer é revelado.

8. Ensaio sobre a Cegueira (2008, Fernando Meirelles)

Quando uma epidemia chamada cegueira branca aparece em uma cidade, a mulher de um médico é a única pessoa que ainda consegue ver. Ela vai para um abrigo com seu marido cego e encontra todos vivendo em condições precárias. Agora ela tem que guiar um grupo à liberdade.


O apocalipse em Ensaio é de natureza médica: todas as pessoas, de uma hora para a outra, começaram a ficar cegas. Grande parte da história se passa em um sanatório onde as pessoas foram isoladas, e a personagem principal é a única pessoa que ainda pode ver. No meio das condições precárias, o pior da natureza humana aflora, quando alguns dos residentes conseguem tomar o poder.


Baseado na obra de José Saramago, o filme pinta o retrato mais naturalista do ser humano: quando colocados nessa situação extrema, as pessoas vão se matar por algum resquício de poder e conforto. A personagem principal, sendo única no meio dos cegos, não é tratada como rainha, mas sim como uma fugitiva, uma sobrevivente no meio da selva humana que se instalou.

7. Mad Max Fury Road (2015, George Miller)

Em um mundo apocalíptico, Max Rockatansky acredita que a melhor forma de sobreviver é não depender de ninguém. Porém, após ser capturado pelo tirano Immortan Joe e seus rebeldes, Max se vê no meio de uma guerra mortal, iniciada pela imperatriz Furiosa que tenta salvar um grupo de garotas. Também tentando fugir, Max aceita ajudar Furiosa. Dessa vez, o tirano Joe está ainda mais implacável pois teve algo insubstituível roubado.


A série Mad Max retrata o futuro do Outback australiano, cheio de líderes de gangues com predileções por usar couro sob o sol australiano, sub-grupos cada vez mais estranhos e carros. Muitos carros.


Fury Road é a entrada mais nova da franquia, e é tido por muitos como uma das melhores. Com cenas de perseguição de tirar o fôlego e uma história simples, mas muito bem direcionada, é um dos apocalipses mais explosivos e interessantes.

6. Filhos da Esperança (2006, Alfonso Cuarón)

No ano de 2027, a infertilidade é uma ameaça real para a civilização, e o último humano a nascer em anos acaba de morrer. Frente a um cenário pessimista sobre o futuro, um burocrata desiludido se torna o herói improvável que pode salvar a humanidade. Para isso, ele enfrenta seus próprios demônios e tenta proteger a última esperança do planeta: uma jovem mulher milagrosamente grávida, descoberta pela ativista com quem fora casado.


A crise de infertilidade que assola o mundo é uma das mais brutais do cinema: os sobreviventes são obrigados a assistir à própria destruição, que vem de uma forma lenta, mas implacável. A morte da esperança é um dos temas do filme, e vemos as consequências de primeira mão: o Reino Unido virou um estado totalitário com uma crise de imigração; diversos grupos terroristas lutam por seus ideais; o suicídio é incentivado e vem em cápsulas acessíveis; etc.


Baseado num livro de P.D. James, Filhos da Esperança é uma história sobre mais do que o fim da humanidade, é sobre o fim da esperança, e o que isso causa nas pessoas que devem viver após a data de vencimento do planeta.

5. No Mundo de 2020 (1973, Richard Fleischer)

Em 2022, Robert Thorn investiga o assassinato de um executivo cuja companhia produz uma comida sintética nutritiva. Mas, no processo de rastrear o assassino, Thorn desvenda várias informações chocantes sobre os ingredientes do produto.


Em um futuro próximo, a Terra está sobrepopulada, absolutamente poluída e os recursos naturais foram completamente exauridos, e a nutrição da população se dá por uma empresa: Soylent Industries, que produz uma das únicas formas de nutrição ainda disponíveis.


Aqui não há um evento apocalíptico que destruiu a humanidade, mas apenas uma imaginação de um planeta onde a extração de recursos saiu do controle, e a população cresceu a um ponto insustentável. As condições de vida são absolutamente miseráveis, e uma corporação está acima de tudo por causa da sua habilidade de ainda alimentar a população. É um retrato da possível falta de humanidade elevada a um nível sistêmico, onde os ricos literalmente se alimentam dos pobres para sobreviver.

4. Despertar dos Mortos (1978, George A. Romero)

Nenhuma lista pós-apocalíptica é completa sem um filme de zumbis.


Os mortos retornam e atacam os vivos. Quatro sobreviventes do ataque se escondem em um shopping abandonado e planejam contra-atacar. No entanto, milhares de mortos-vivos descobrem o esconderijo e iniciam um novo massacre, contaminando alguns sobreviventes que retornam como zumbis e somam-se ao exército de criaturas.


A história do mundo dominado pelos mortos-vivos é um clássico. Em Madrugada, temos os sobreviventes isolados em um local, e podemos assistir enquanto o desespero toma conta, e o planejamento calculado de seus planos para fugir, e a execução do plano. É uma história bem contida, mas que não deixa de retratar o estado maior do mundo.


Talvez a obra-prima de George Romero, a história dos sobreviventes que se abrigam em um shopping é um clássico do gênero. Aqui, a crítica social do consumismo e alienação que é o gênero de zumbis é clara e sem qualquer sutileza.

3. Todo Mundo Quase Morto (2004, Edgar Wright)

Nenhuma lista pós apocalíptica com filmes de zumbi é completa sem Todo Mundo Quase Morto.


Um funcionário de vendas de uma loja de eletrônicos e seu melhor amigo precisam salvar seus amigos e suas famílias de zumbis que tomaram conta de Londres.


A vida de Shaun é abalada pelo apocalipse zumbi nessa comédia do diretor Edgar Wright. Temos aqui um balanço perfeito entre comentário sobre o gênero de horror zumbi e um filme de zumbi. A história é tanto sobre o arco do personagem principal, que deve amadurecer, bem como a sua luta pela sobrevivência.


Uma harmonia perfeita entre comédia e horror, uma das obras primas de Edgar Wright retrata personagens carismáticos, cenas de ação criativas e um estilo de edição único.

2. Expresso do Amanhã (2013, Bong Joon Ho)

Em um futuro não tão distante, quando um experimento para impedir o aquecimento global simplesmente falha, uma nova era glacial varre o planeta. Tudo o que sobrou foi uma imensa vastidão de neve e guerra – e os únicos sobreviventes da Terra estão a bordo de uma imensa máquina chamada Snowpiercer: um trem em movimento perpétuo ao redor do planeta.


Lá dentro, os mais pobres vivem em condições patéticas, sofrendo com o frio e a fome, enquanto a classe rica, em meio ao luxo, é repleta de pessoas que se comportam como reis. Isso até um dia em que um dos miseráveis resolve mudar o status quo, descobrindo todos os segredos deste intrincado maquinário.


Tanto uma crítica de classe quanto um filme pós-apocalíptico, o filme de Bong-Joon Ho é baseado em uma história em quadrinhos francesa, contando a história de uma revolução dentro do trem, liderada pela classe trabalhadora, que luta por melhores condições de vida.


A crítica social toma o centro da atenção do roteiro, e o mundo afora é utilizado como premissa para a história que se passa dentro do trem. O desenrolar da revolução demonstra o lado mais frio da sociedade, atacando temas de determinismo, classes sociais e a distribuição de recursos.

1. Wall.E (2008, Andrew Stanton)

Após entulhar a Terra de lixo e poluir a atmosfera com gases tóxicos, a humanidade deixou o planeta e passou a viver em uma gigantesca nave. O plano era que o retiro durasse alguns poucos anos, com robôs sendo deixados para limpar o planeta. WALL-E é o último destes robôs, e sua vida consiste em compactar o lixo existente no planeta. Até que um dia surge repentinamente uma nave, que traz um novo e moderno robô: Eva. A princípio curioso, WALL-E se apaixona e resolve segui-la por toda a galáxia.


O personagem principal, sendo um catador de lixo, confronta de frente o vácuo deixado pela humanidade em seu planeta. O conflito do filme só aparece na segunda metade, quando a Inteligência Artificial que controla a nave que abriga a humanidade revela seu plano, e as consequências da entrega de poder às grandes corporações ficam claras.


A história de Wall.E retrata uma humanidade que transformou o planeta Terra em um grande lixão, e agora vive no espaço com todo o conforto e luxo possível. A crítica ao consumismo desenfreado e ao poder de corporações está no centro de Wall.E, que retrata sua mensagem de uma forma não tão sutil, mesmo assim, poderosa.


Escrito por Fernando Cazelli

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