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Crítica: Homem Aranha no Aranhaverso - Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman (2018)

(Eu normalmente inicio minhas análises com a sinopse oficial do filme, mas, a que é usada em português tem um puta de um spoiler, então vou traduzir a que eu tirei do IMDB, taokey)


Miles Morales é um adolescente do Brooklyn que está com dificuldades na sua nova escola, em fazer amigos e, acima de tudo, em ser o novo Homem Aranha. Quando ele encontra Peter Parker, o salvador de Nova York no Multiverso, Miles tem que treinar para se tornar o novo salvador da cidade.

“Miles Morales: With great power comes great… Peter B. Parker: Don’t you dare finish that sentence! Don’t do it. I’m sick of it.”

A nova entrada no Universo Homem Aranha (o quarto em dez anos, sem contar as animações para a TV, jogos de video game, etc.) demonstra ser um filme cheio de charme que merce toda a atenção e elogios que a mídia especializada vêm despejando sobre ele e muito mais.


Antes de entrar nos méritos do filme, um pouco sobre mim: eu sou e sempre fui um nerd de carteirinha. Desde jovem eu lia todos os quadrinhos e livros de fantasia que pudia encontrar, quando comecei a ganhar dinheiro, gastava TODO o meu dinheiro com RPG, quadrinhos, livros, DVDs, etc. Eu nunca comprei uma roupa para mim que não fosse de alguma banda ou de cultura pop até ser um adulto. Agora que tiramos isso do caminho, eu posso contar para vocês como esse filme é um dos meus favoritos.

O gênero de super-heróis renasceu em 2018, na minha torpe opinião. Existia um consenso em 2016 / 2017 de que esse gênero estava morrendo, e que muitas das histórias sendo contadas estavam saturando o mercado de uma forma insustentável, e uma quebra desse formato era inevitável. Dessa filosofia, nasceu o ótimo Logan, de James Mangold: um ode a um heói moribundo, em um mundo decaído, contando uma história sobre a preservação do futuro e a morte do presente.


Poucos poderiam prever o sucesso de crítica e público que viria em 2018, com Avengers: Infinity War. Esse filme tinha tudo para dar errado: 300 personagens principais; dois diretores que precisavam manter as identidades de outros 9 diretores; um vilão totalmente criado em CGI; a chance de ter uma trama previsível e insossa; etc.

No entanto, foi um dos maiores sucessos de público e crítica do ano. Um espetáculo técnico e uma revitalização do formato blockbuster.


Qual é o meu ponto com tudo isso? O gênero teve que sair da zona de conforto que nos trouxe muitos dos filmes ruins (Avengers Age of Ultron; Batman Vs Superman) e desnecessários (Ant Man, League of Justice) do gênero, através do uso criativo das técnicas de roteiro e cinematografia disponíveis para os cineastas da época (Guardians of the Galaxy 2).

E é por isso que Homem-Aranha: No Aranhaverso é um filme triunfal. Com roteiro de Phil Lord e Christopher e Rodney Rothman, Aranhaverso é, no final das contas, uma história de origem sobre Miles Morales. Para os fãs dos quadrinhos, Miles já foi introduzido como Homem-Aranha em 2011 na linha Ultimate Marvel.


O roteiro demonstra um entendimento profundo sobre o personagem do Homem-Aranha que esteve ausente em muitas das histórias mais modernas do Cabeça de Teia. Há um respeito muito grande pelo legado do personagem, ao mesmo tempo em que se olha para o futuro da marca Homem-Aranha: temos o Peter Parker mais velho lutando com diversas versões mais novas, criadas há pouco tempo.


Alinhado com isso, há uma homenagem tocante aos criadores do Homem-Aranha (além de um dos últimos cameos de Stan Lee): antes dos créditos há uma mensagem de Lee, dedicada ao próprio e a Steve Ditko (co-criador, que também faleceu em 2018).

Ao lado do roteiro maravilhoso, um dos grandes triunfos de Aranhaverso é a animação. Com 4 anos em desenvolvimento, o filme tem um estilo próprio, que mescla o visual próprio dos quadrinhos (com painéis, balões de pensamento), CGI e animação gráfica.

Em todas as cenas, há um senso estético muito grande e cuidadosamente aplicado. O design de cada personagem atende às características únicas dos mesmos (por exemplo, o Homem-Aranha Noir escurece tudo que está por perto dele), mas nunca entram em conflito quando estão em uma cena juntos. É uma coisa que é necessário ver para crer.


O filme definitivamente tem uma identidade visual como eu nunca vi (seja em filmes, videogames, quadrinhos, etc.), e se utiliza dela para contar sua história de uma maneira extremamente criativa e divertida.

“Spider-Man Noir: Hey, fellas. Miles Morales: Is he in black and white? Peter B. Parker: Where is that wind coming from? We're in a basement. Spider-Man Noir: Wherever I go, the wind follows. And the wind... smells like rain.”

O senso de humor também não passa batido. Com um filme sobre o Homem-Aranha, é fácil errar a mão e fazer com que ele seja um comediante sem graça (eu estou olhando para você, Andrew Garfield) que sempre parece que está tentando demais para ser engraçado.


Não é o caso de Aranhaverso. O filme tem uma mistura muito agradável de cenas cômicas, sejam elas visuais, de diálogo, ou situacionais. O humor nunca é seco ou cansa o espectador. Um bom exemplo são as pequenas cenas quando os Homens-Aranha são introduzidos (cada um tem um pequeno flashback), que variam entre si só o bastante para que essa variação seja cômica ao mesmo tempo que não cansem o espectador.


Aranhaverso traz uma experiência visual única e criativa, que respeita seus personagens, resultando em um filme divertido e diferente de tudo que se pode ver no cinema hoje. Recomendadíssimo. Vejam no cinema enquanto puderem.


Escrito por Fernando Cazelli

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