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Crítica: Godzilla Vs. Kong - Adam Wingard (2021)

Não é novidade pra ninguém que monstros gigantes fazem parte de um gênero cinematográfico já consolidado desde as primeiras décadas do cinema. Em 1933 a RKO lançou o clássico King Kong que até hoje é considerado um dos filmes mais importantes para o gênero. As aventuras nos Estados Unidos com filmes desse tipo acabaram ficando deixadas de lado com a construção do império Hollywoodiano de filmes que seguiam um modelo de negócios, criando um cinema B marginalizado que posteriormente olharia para monstros de outros tipos. (Vampiros, múmias, lobisomens e etc.)

No Oriente, logo após o fim da 2ª Guerra Mundial, e com o medo de um ataque atômico após as bombas de Hiroshima e Nagazaki lançadas pelos Estados Unidos nas duas cidades japonesas, Ishirō Honda cria o monstro Godzilla e o filme de 1954 se torna um clássico instantâneo. No Japão o gênero de “monstros gigantes” se popularizou pelo nome de Daikaiju. Foi um tipo de cinema produzido massivamente durante décadas no oriente e popular até os dias de hoje. Outros kaijus como Mothra, Mechagodzilla, Gamera, Rodan e King Ghidorah foram criados, estabelecendo uma verdadeira mitologia em torno deste cinema.

Em 2005, os Estados Unidos voltam a experimentar com os filmes de monstros gigantes, depois do sucesso com O Senhor dos Anéis, Peter Jackson dirige um remake de King Kong. A partir deste momento percebe-se que os americanos não entendem exatamente o gênero que ficou famoso pela mão dos japoneses. Os filmes acabam dando muito destaque para personagens humanos que circundam a trama e que só fazem inchar os longas com tramas inúteis quando a ideia é ver destruição e monstros gigantes. Esse problema é visto também nos dois filmes da franquia Círculo de Fogo de 2013 e 2015, que caíram na mesma armadilha de fazer valer o cachê do elenco.


Em 2014, no remake americano de Godzilla (que iniciou a franquia que culminou no presente filme) esse problema começou a ser mudado, o diretor Gareth Edwards pareceu estar começando a entender o propósito deste tipo de longa. A mudança foi levada à frente na sequência, Kong: Ilha da Caveira de 2017 pela mão de Jordan Vogt-Roberts e Michael Dougherty em 2019 com Godzilla II: Rei dos Monstros deixa o cenário perfeitamente preparado para o embate entre os dois monstros gigantes mais adorados do cinema.


Godzilla Vs. Kong é uma sequência animalesca de bicudas e giratórias de monstros gigantes, como bem disse o portal CinePop, um verdadeiro “open bar de porrada”. O roteiro é exatamente o que tinha que ser, simples, direto, sem enrolação e fraco. Sim, fraco, estava esperando o quê? Narrativas mirabolantes não são bem vindas nesse tipo de filme, o que vale é o espetáculo visual que tanto estávamos esperando em um momento tão horroroso da história humana. É o filme perfeito pra esquecer de tudo e vibrar com dois titãs se digladiando.

Por mais que o elenco seja relativamente de peso, dessa vez eles são deixados completamente de escanteio, servindo somente como meros acessórios orbitando a trama principal. (Humanos… coloque-os em seu devido lugar…) Um destaque que é merecido porém vai para a atriz Kaylee Hottle que fez um ótimo trabalho aqui e que tem um futuro brilhante pela frente.


Vamos ao que interessa:

É realmente a realização dos sonhos molhados dos fãs. Essas duas hecatombes de criaturas são tratadas de forma extremamente respeitosa com suas devidas mitologias. O espetáculo visual faz valer a pena as vezes que vemos a Millie Bobby Brown correndo de um lado pro outro. Não acredito que seja um exagero dizer que Adam Wingard finalmente deu a redenção aos Estados Unidos por finalmente entender como fazer um bom filme de briga de monstro gigante.


A cena em Hong Kong (?) tem prédios em neon que só servem pra estilizar as cenas de pancadaria e eles cumprem esse papel muito bem, as cores em cena enchem os olhos e dão um pouco de melancolia por não estarem sendo vistas na sala de cinema com as poltronas lotadas. Realmente desde o seu anúncio Godzilla Vs Kong tem sido um alívio para as mentes inchadas de informações trágicas e foi até o dia de hoje um dos faróis de puro entretenimento que todos estavam esperando para ter nesses tempos difíceis.

Não é à toa que houve a guerra de argumentações das hashtags #timeKong e #timeGodzilla em todas as redes sociais. Isso denota a importância que esse tipo de divertimento tem para todos no mundo, porém também evidencia uma certa inocência de uma parte do público que acredita mesmo que um dos monstros é mais forte do que outro. Sobre isso eu faço aqui meu manifesto, só um deles tem a capacidade de literalmente GRITAR um buraco ao centro da terra.


Ready? FIGHT!


Escrito por Gabriel Pinheiro.

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