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Crítica: Judas e o Messias Negro - Shaka King (2020)

A história real dos acontecimentos que envolveram um dos líderes dos Panteras Negras nos EUA dos anos 60 / 70 é contada através do informante do FBI Bill O’Niel (Lakeith Stanfield), que se aproxima de Fred Hampton (Daniel Kaluuya) a mando de um agente do FBI (Jesse Plemons).

Um dos thrillers políticos mais relevantes e impactantes dos últimos tempos é também apenas o segundo filme do diretor Shaka King, que acaba de ser indicado a 6 Oscars (Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante – para Daniel Kaluuya e Lakeith Stanfield - , Canção Original, Roteiro original, Fotografia). A história é focada na liderança do partido dos Panteras Negras na cidade de Chicago nos anos 60, após as mortes de Malcolm X e Martin Luther King (já representados inúmeras vezes, com destaques para Malcolm X de Spike Lee e Selma, de Ava DuVernay), e na perseguição pelas forças policiais e do FBI, através do agente moderado Roy Mitchell (Plemons), sob o comando do Super-Vilão da vida real, J. Edgar Hoover (aqui representado por Martin Sheen).

O ponto de vista da trama é o informante do Fbi, recrutado por Roy: Bill O’Niel (Stanfield), que deve se infiltrar no partido para investigar o líder do partido, Fred Hampton (Kaluuya). O personagem de Stanfield se mostra um jovem sem rumo que, por acidente, encontra seu lugar dentro do partido, criando assim um conflito interno muito bem explorado, culminando em algumas das cenas mais tensas e tristes dos últimos anos. Grande parte da trama se leva na atuação dos dos atores principais. O relacionamento entre Fred e Bill se desenvolve naturalmente, e ambos demonstram conflitos internos, bem como cumprem seus papéis na trama maior. Lakeith Stanfield apresenta um grande trabalho, trazendo vulnerabilidade e bravado ao seu personagem.

Mas o grande destaque é certamente Daniel Kaluuya, no papel de Fred Hampton. Não é somente a mudança física que demonstra os grandes esforços que o ator empenha para viver o personagem: sua maneira de falar, linguagem corporal, os discursos e a mera presença demonstram uma transformação que é vista poucas vezes.

Grande destaque também é merecido para o trabalho de design e figurino, que captura muito bem o clima de Chicago dos anos 60/70, bem como a fotografia, demonstrando que, algumas vezes, as indicações da Academia têm alguma consideração. Judas and the Black Messiah é um thriller politico bem construído, com uma direção única e competente, e que traz algumas das atuações mais fortes da atual safra.


Escrito por Fernando Cazelli


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