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O vazio da vida pela lente de Béla Tarr - Comentários sobre a obra

Atualizado: 22 de out. de 2018

Béla Tarr é um cineasta húngaro conhecido por seus filmes incrivelmente autorais e com um viés artístico muito forte, entretenimento é uma palavra que não existe no vocabulário de seus filmes. Para Tarr a existência é vazia e sem sentido algum, a vida nada mais é do que uma repetição incansável do dia a dia e isso fica evidente em seus filmes onde as principais temáticas abordadas são justamente a vida de personagens que aos nossos olhos parecem tão entediantes mas que ao final são mais parecidos conosco do que imaginamos anteriormente.



Sua técnica casa perfeitamente com seu tema, é um trabalho em conjunto que cria na sua obra um fator de singularidade que é facilmente identificável. Além de sua preferência em filmar em preto em branco mesmo sendo um cineasta contemporâneo e mostrar os personagens fazendo coisas triviais que não acrescentam nada na narrativa, ele utiliza técnicas de filmagem que são inerentes à sua filmografia.


Um filme de ação tem, normalmente, muitos cortes entre uma ação e outra, os planos de Béla Tarr tendem a ser mais longos e apresentam na tela acontecimentos que não precisariam ser representados dessa forma no cinema convencional. Como exemplo dessa técnica usarei a cena de abertura de “o Cavalo de Turim”, nessa cena vemos o personagem principal sentado em uma carroça puxada por um cavalo, a câmera acompanha essa carroça. Essa cena normalmente serviria somente para nos informar que este homem está indo até algum lugar, duraria então por volta de alguns segundos, porém essa cena no filme dura cerca de 5 minutos, sem diálogo algum. Ela nos faz contemplar essa pessoa e realmente tentar vivenciar esse caminho pelo qual ele está percorrendo. (Veja a cena aqui)


A repetição, a contemplação e a falta de uma luz que nos guie, são recursos de um homem que fala para o público sobre a falta de sentido na vida, o sofrimento e o vazio da existência. Uma experiência única porém desconfortável, assim como Béla acredita ser a nossa vida.


 

Alguns dos melhores filmes do diretor: (As sinopses foram retiradas daqui)


O Cavalo de Turim (2011 ‧ Drama ‧ 2h 26m)

O velho fazendeiro Ohlsdorfer e sua filha dividem um cotidiano dominado pela monotonia. A realidade dos dois é observada pela vista da janela e as mudanças são raras. Enquanto isso, o cavalo da família se recusa a comer e a andar. O filme é uma recriação do que teria ocorrido com o animal após ter sido salvo da tortura pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche durante uma viagem a Turim, na Itália.


Sátántangó (1994 ‧ Drama/Comédia ‧ 7h 30m)

Em uma pequena cidade na Hungria nos anos 90, os habitantes vivem os últimos dias do regime comunista, e estão animados porque receberão dinheiro pela venda de uma fazenda coletiva, que será encerrada. Só que Irimias, um homem carismático que era da comunidade, e que todos achavam já estar morto há dois anos, volta. As pessoas ficam apreensivas com a possibilidade de ele pegar o dinheiro para manter a comunidade viva e unida, enquanto muitas delas planejam ir embora.


A Harmonia Werckmeister (2000 ‧ Drama/Mistério ‧ 2h 25m)

Em uma cidade na planície húngara, pacata e calma, o povo, inativo e impaciente, espera pela chegada de um circo que apresentará a carcaça de uma baleia e um príncipe singular. Uma série de acontecimentos esquisitos, como a chegada de estranhos e o frio extremo, perturba a realidade da pequena cidade. Alguns personagens tentarão tirar proveito da situação.

Por: Gabriel Pinheiro

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