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Oscar 2021: Crítica dos 5 Curtas Animados

Dos cinco filmes indicados à categoria de melhor animação em curta metragem no ano de 2021 tivemos uma diferença muito grande de qualidade entre os filmes. Ao mesmo tempo que estão nessa categoria alguns dos melhores filmes indicados a algum Oscar, estão também os piores. Discutindo desde os temas mais pessoais até o funcionamento de sociedades, estes são os indicados ao Oscar de melhor curta metragem em animação.


Burrow - Madeline Sharafian (2020)

Um jovem coelho está em busca de construir sua casa embaixo da terra sem ter muita noção de o que e como fazer. Burrow é um filme extremamente fofo e gostoso de assistir, somos apresentados a uma vizinhança de diversos animais com casas subterrâneas complexas e cheias de diferentes salas, enquanto o projeto do coelho é simples. Um traço bonito bem animado e muito divertido Burrow é certamente um dos melhores filmes indicados a alguma premiação nesta edição do Oscar.


Se Algo Acontecer … Te Amo - Will McCormack e Michael Govier (2020)

Um casal deve suportar com o luto da perda de sua filha. Um curta que se baseia completamente na criação de empatia que o espectador vai criar com os personagens. Eu não gosto deste tipo de filme. De fato a história é triste e você sente a dor dos pais por terem perdido sua filha de forma tão brutal, mas fora isso o filme não é nada. A animação não é interessante, não é particularmente bonita, ou tem qualquer charme, a edição de som é péssima, uma música atropela a outra. O filme faz um comentário político na questão dos assassinatos em massa em escolas e de fato consegue dar peso para o comentário, mas no fim é uma experiência qualquer coisa.



Yes-People - Gísli Darri Halldórsson (2020)

Uma série de histórias paralelas de moradores de um mesmo prédio. Não há muito o que se falar de Yes-People. Pode-se dizer que não é um grande filme, ou talvez que nem mesmo um bom filme é. Não entendo muito o motivo da indicação e sinceramente acho que não tem a menor chance de levar a premiação (caso leve vai ser sem sombra de dúvida a maior surpresa da noite). Mas enfim o filme segue essas pessoas em diversas situações cotidianas enquanto elas somente falam “sim”, não é bonito, não é particularmente engraçado (a animação em alguns momentos é gostosinha de se assistir). No fim parafraseio uma review deixada no Letterboxd sobre o filme pelo usuário douglas “no.”


Opera - Erick Oh (2020)

Uma pirâmide que demonstra o ciclo da história humana. Falar de Opera é difícil, principalmente pelo motivo que eu não consegui compreender. O filme apresenta esta pirâmide onde toda uma sociedade vive e trabalha, no entanto todas as camadas dessa pirâmide são mostradas ao mesmo tempo (recomendo muito ver a imagem para entender e digo que metade do quadro não está aparecendo na imagem). Com isso, centenas de pessoas se movimentando em diversas pequenas salas são mostradas ao mesmo tempo. Foi simplesmente muita informação para o meu cérebro. Eu era incapaz de entender o que acontecia além dos dois momentos principais em que há um foco concreto para onde você deve olhar. O conceito é muito interessante, a execução também, mas eu sou incapaz de assistir a Opera, acredito que vai ser um filme que vai ficar na minha cabeça de forma positiva no futuro, mas que eu espero nunca mais assistir.


Genius Loci - Adrien Merigeau (2020)

Em uma noite, Reine, uma jovem solitária, se torna uma com o caos urbano. Genius Loci tem tudo pra ser meu filme favorito dos 56 filmes indicados esse ano para os Oscars. O filme é belíssimo, tocante e emocionante. Reine está perdida em seus sentimentos, ela não consegue compreendê-los muito menos expressá-los, mas ela definitivamente os sente. Dessa forma ela perambula pela cidade enquanto é tomada pelo caos urbano, a sua crise de identidade e a crise de identidade da sociedade contemporânea se tornam a mesma. Reine busca por afeto, mas não sabe como pedir e isso a frustra, fazendo com que ela se perca mais e mais nela mesma. Genius Loci é extremamente criativo, com sua narrativa extremamente visual e profunda, somos jogados dentro da mente de uma jovem que busca a si mesma em todos os cantos sem a certeza que vá encontrar.


Escrito por João Cardoso




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