• Equipe

Crítica: Viúva Negra - Cate Shortland (2021)

Ao nascer, a Viúva Negra, então conhecida como Natasha Romanoff, é entregue à KGB, que a prepara para se tornar sua agente suprema. Porém, o seu próprio governo tenta matá-la quando a União Soviética se desfaz.

Quando a Viúva Negra foi introduzida ao Universo Cinematográfico na Marvel, tínhamos uma personagem que infelizmente só servia de palco pros show de Robert Donwey Jr. no péssimo Homem de Ferro 2 de 2010. A Natasha, que era a nova assistente bonita de Tony Stark, ao final desse longínquo filme se apresenta como agente da Shield, trabalhando ao lado de Nick Fury para espionar o herdeiro da Stark Industries e tentar cooptá-lo para a iniciativa vingadores.


A representação e o tratamento que os diretores e produtores da Marvel Studios deram à personagem e à atriz Scarlett Johansson voltaram à ser discutidos com a chegada do novo filme da Viúva Negra, e isso era de se esperar. Existe um abismo enorme entre a Nat que vemos aqui e a que víamos em 2010.


Estamos falando de Hollywood e a Marvel segurou o filme da Viúva Negra por tempo demais, eles esperaram até o último segundo para dar à Romanoff o que ela merecia, desde pelo menos a Fase Um do MCU. Esse claramente pertence ao início dessa franquia, podiam ter substituído o Homem de Ferro 3 por esse filme, seria ainda mais perfeito. E "ainda mais" porque no fim das contas "Viúva Negra já é um bom filme, mesmo que seja atrasado quase uma década.

O novo longa é um filme de ação extremamente competente, com sequências muito bem feitas que não te deixam cair no enfado em momento algum. É sempre bom assistir à um desses para poder se lembrar as dores e as delícias de um bom filme de ação, tiro, porrada e bomba. O único demérito nesse sentido é que os efeitos visuais não parecem estar muito bem acabados, talvez a pandemia possa ter influenciado em algum momento nesse aspecto, mas no final não atrapalha muito.


A premissa é bastante inteligente e a trama, para além dos dramas emocionais e familiares, gira entorno de uma organização criada na antiga União Soviética, que manipula mulheres quimicamente e as treina para serem assassinas sob o comando de um russo lunático pelo poder, digno de um verdadeiro "delírio comunista". Um dos maiores trunfos do filme é o personagem de David Harbour, Alexei Shostakov, que era, em seus tempos áureos, uma espécie de "Supersoldado Soviético". Obviamente as interações do personagem são hilárias com direito inclusive à uma tatuagem nos dedos do personagem onde se lê "Karl Marx", sutil mas maravilhoso.

Além do de Shostakov somos apresentados às personagens Melina, interpretada por Rachel Weisz e Yelena Belova que foi vivida de forma brilhante por Florence Pugh, essa última pode ter um papel interessantíssimo nos vindouros filmes da Marvel, inclusive. A direção de Cate Shortland é equilibrada, ela sabe fazer filmes de ação, muito bem obrigado, mas também teve a sensibilidade de encenar o roteiro de forma com que os momentos emocionantes tenham o peso dramático devido em meio aos socos e às explosões mirabolantes.


A estrela da vez, Scarlett Johansson, dá o seu show tão merecido nesse novo longa. Ela vive o papel de forma convincente e parece estar mais feliz do que nunca com esse projeto. Sua entrega física para as cenas de luta são muito bem vindas, o peso emocional que ela dá para os momentos densos é feito na medida certa. É com toda certeza uma despedida bem interessante para a primeira Vingadora do Universo Marvel, foi uma jornada e tanto, com altos e baixos, mas que não poderia de forma nenhuma terminar sem um filme próprio. Finalmente.

Escrito por Gabriel Pinheiro

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo