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Crítica: X-Men: Fênix Negra - Simon Kinberg (2019)

No início dos anos 2000 o primeiro filme dos X-Men estabeleceu os parâmetros e foi o prenúncio do que seria posteriormente a era moderna dos super-heróis no cinema. Naquela época o público ainda não aceitaria uma tradução visual literal dos quadrinhos para o cinema pois isso poderia ser desagradável esteticamente. Porém os personagens nos quais os filmes se basearam foram completamente respeitados nos primeiros anos da saga dos X-Men no cinema através da visão mais realista e pé no chão do diretor Bryan Singer

Durante uma missão de resgate no espaço, Jean quase morre ao ser atingida por uma misteriosa força cósmica. Quando ela volta para casa, essa força não só a torna mais poderosa, mas muito mais instável. (Fox Film)


A saga anteriormente já contou essa história. X-Men 3 foi vítima de uma escolha por parte da produção da saga em focar no personagem Wolverine, dando pouco espaço de desenvolvimento aos outros. Fênix Negra foi um processo conturbado, passou por sete meses de adiamento do filme devido à compra da Fox pela Disney e refilmagens também aconteceram.


Os X-Men então voltam para seu último filme sob a patota da Fox em um cenário infinitamente mais favorável aos clássicos "collants amarelos". Há no ar a esperança de que esse filme faça jus ao nome da saga que se propõe à encerrar, com uma história bem contada, a trajetória de uma das maiores equipes de heróis de toda a cultura pop.


O filme não decepciona, na realidade X-Men apresenta um ar fresco para uma franquia que há tempos se viu desgastada por causa de erros cronológicos e de organização de universo. Fênix Negra merece muitos elogios ao seu desenvolvimento. Com certeza a direção de Simon Kinberg trouxe exatamente o que o filme precisava.

O longa faz o que há muito os fãs da série pediam, um tratamento dos personagens pelo que eles realmente são, jovens especiais em uma escola, com direito a piadinhas com festas e bebida no quintal da Mansão Xavier. O humor do filme é bem dosado, piadas e easter eggs são bem sutis e não comprometem em nada o tom mais sério que Kinberg propõe para o roteiro, afinal o poder que Jean recebeu pode criar universos, assim como pode destruí-los. A trilha sonora chamou muito a minha atenção, fazia-se presente na hora certa, com o tom certo e dava o compasso das cenas de uma forma belíssima, é incomum uma trilha dessa qualidade em um filme de super-heróis. O espanto com ela foi justificado logo após o filme, quando o nome de Hanz Zimmer surgiu nos créditos finais, impressionante.

Jean Grey apesar de ter tido pouco tempo para ser construída nos outros filmes dos X-Men após o reboot feito em “Dias de um Futuro Esquecido”, teve aqui o que seria o seu show. A personagem é bem relacionável e é possível se identificar com ela. (Coisa difícil de fazer na fase anterior da franquia.) Seu relacionamento com o Scott é estabelecido de uma forma natural, o que faz com que seja possível sentir o peso do amor entre os dois durante os conflitos gerados após o surgimento da força Fênix. A entidade cósmica que se apodera de Jean revela seu peso logo no início do filme. Ela é assustadoramente poderosa e bela ao mesmo tempo, a atuação impecável de Sophie Turner, que se revela aqui uma grande atriz, trata de nos transmitir toda a dor enlouquecedora que é carregar algo que não controlamos dentro de nós além de todo o trauma que um mutante pode passar quando não é compreendido em seu desenvolvimento.

Em relação ao resto da equipe e os outros personagens, o filme soube muito bem equilibrar todos com seus respectivos poderes, como foi dito anteriormente aqui temos algumas das melhores cenas de ação em equipe de toda a franquia, até o uso de violência gráfica é levemente acentuado. Alguns integrantes que antes não possuíam tanta visibilidade são vingados aqui de forma impressionante, sentimos a presença e a importância de cada um deles na equipe, um deleite para qualquer fã. A falta de Wolverine não é sentida, foi um erro do estúdio, priorizar esse personagem nos outros filmes que eram especificamente sobre ele. A Mística teve o que precisava nesse episódio, sua presença é curta assim como deveria ter sido toda a sua passagem pela série. Magneto e Xavier são os pontos fracos do filme, suas inconsistências em relação à decisões passadas ou futuras em relação a Jean Grey, apesar de moverem a trama pra frente, pareceram descaracterizar os dois personagens durante a sessão.

A vilã do filme interpretada por Jessica Chastain é uma boa sacada dos roteiristas. Até hoje não havia sido explorado em toda a saga o “mundo cósmico”, justamente de onde a força Fênix deveria vir. (Alô, X-Men 3.) E ela é toxicamente insistente ao tentar cooptar, uma fragilizada pelo enorme poder, Jean Grey para executar seus planos de dominação, a atriz já possui um visual andrógino que combinou muito bem com a proposta estabelecida para essa antagonista que não é bem o que parece ser fisicamente. Ao final a solução que encontraram para ela foi bem inteligente, só confirmou o tamanho poder que Jean já possuía antes de ser transformada pela Fênix.

Ao final a Fox parece que aprendeu com seus erros do passado. Os X-Men nunca foram sobre uma pessoa e sim sobre um coletivo de seres fantásticos, aqui se fez jus ao material criado por Stan Lee e Jack Kirby na década de 60. Em um ótimo filme, eles encerram a saga que se iniciou no ano 2000 e revolucionou todo o gênero dos super-heróis no cinema. Acertaram em cheio. O filme consegue seu lugar logo ao lado dos melhores da franquia. É um desfecho belo, emocionante e triunfal para esses heróis que mal podemos esperar para rever em breve.


Escrito por Gabriel Pinheiro

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